Lamparina quer casar!

Assim que pensei nessa exposição foi imediata a memória de Joana Marques para representar as artes cênicas. Atriz e criadora da palhaça Lamparina, ela é assim mesmo, brincalhona, com o leve sotaque sarcástico do campinense sagaz. E assim que a convidei, ela topou e ofereceu uma ideia para o ensaio. Ela deu a sugestão de fazermos suas fotos nas igrejas. Por quê? Lamparina quer casar!

Essa personagem feminista, porém admiradora de homens (dos bons e sensíveis), surgiu em 2013, quando Joana acendeu uma luz cômica ao dar início a sua pesquisa na palhaçaria. Lamparina atravessa o riso, a poesia e a vulnerabilidade e se mostra uma palhaça que rima com tangerina: doce, boba, solar e surpreendente.

A atriz Joana desempenha ainda outras funções em Campina Grande. Ela recebeu uma Moção de Aplauso de autoria da vereadora Jô Oliveira, pela relevante contribuição para a luta feminina na cidade, no dia 6 de maio de 2022. Mas, pelo trabalho artístico desenvolvido ao longo da vida, ela recebeu em maio de 2025 a medalha de Mérito Cultural das Artes e Ativismo Cultural, concedida pelo vereador Napoleão Maracajá e entregue pela vereadora Jô Oliveira.

Dona de palavras também muito sábias, a atriz atua nas redes sociais com textos reflexivos e tocantes. “Lamparina é corpo que tropeça e coração que insiste. Sua presença mistura inocência e sagacidade, trazendo ao público um humor que se abre como fruta descascada”, descreve a personagem.

A cada cena, Joana Marques costura camadas de jogo, poesia e vulnerabilidade, fazendo da arte da palhaçaria um convite ao encontro verdadeiro com a graça. Parece que ela tem certo borogodó também, pois bastou Lamparina aparecer na frente da Catedral para um pretendente se apresentar. Foi tudo muito rápido, não deu tempo Lamparina racionar, mas parece que o senhorzinho queria já entrar na igreja para selar uma união quente e promissora no final da tarde. Pena que a palhaça é esperta, notou que era de vidro aquele anel, disse “não” e seguiu sozinha para o altar.

Entre o riso e o silêncio, Lamparina revela a beleza do ridículo e a potência da delicadeza. Sua jornada, segue em contínua investigação e expansão, reafirmando a palhaça como território de invenção, coragem, convidando o público a saborear o jogo cômico em camadas: doce, e essencialmente humana na palhaçaria.