Os dips de Ayana
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Ayana é uma poesia urbana em forma de gente, com as mãos, no catwalk, em giros e mergulhos (spins e dips) ou na performance solo, entre outros. A conheci por intermédio do meu filho, que já a acompanhava de perto no movimento ballroom. Pelas redes sociais, eu a via sempre nos corres: dançando em cada canto possível, se descobrindo no corpo e abrindo espaço na cena. Prestes a completar a maioridade, essa menina-moça trans ou travesti tem uma sensibilidade rara — daqueles corpos que falam antes mesmo das palavras chegarem.
Essa musa do Vogue Fem incorpora os elementos com bastante interesse. Afinal, desde pequena, Ayana sempre dançou. Dançava sozinha, para si, como quem encontra na música um espelho íntimo. Gostava de observar outras pessoas dançando, dizia que era como assistir a um tipo de mágica acontecer diante dos olhos.
Curiosamente, ela não sabia o que era ballroom quando se aproximou da cena. Tudo começou quando viu, em um story de uma amiga, uma passarela improvisada e aplausos ecoando para uma performance de runway. Aquela imagem marcou. Quis viver aquilo também. E assim, sem ensaio nem roteiro, Ayana foi a sua primeira ball: “De volta a 2004” em Campina Grande, no Centro Artístico e Cultural (CAC) da UEPB, em março de 2024.
Chegou sem saber de nada — apenas com a coragem. Quando abriram a categoria face, entrou. Não sabia o que significava, tampouco esperou os jurados. Entrou e saiu. Não levou chop, nem 10. Mas foi aplaudida e aquele aplauso foi como um chamado! A partir dali, ela começou a procurar quem fomentava a cena, passou a frequentar treinos, aprendeu os cinco elementos do vogue femme e mergulhou nas vivências e histórias que formam a espinha dorsal da cultura ballroom.
Os palcos foram se multiplicando. Ayana participou de muitas balls em Campina Grande, João Pessoa, Natal e Recife, onde brilhou na Jingle Ball e conquistou seu primeiro Grand Prize em runway. Em Natal, faturou outro GP, desta vez em dinheiro (R$ 150) e também venceu na categoria baby vogue. Em João Pessoa, teve a vitória na “Batalha de 10 anos”, um evento que uniu a ballroom e a Batalha das Quebradas — um encontro de potências marginais e criativas.
Muita gente, ela me disse, ainda tem dificuldade de entender o vogue. “Acham que é só improviso, que não é dança. Mas é sim! A gente treina os cinco elementos sempre. Depois, nos bailes, a gente improvisa com base nisso. É uma dança exigente, que pede técnica, entrega e presença”, contou, com brilho nos olhos.
Ayana já participou de um ball realizado por sua house, a The Master Kiki House of Império para o Festival do Brilho em abril de 2025, no bairro das Malvinas e na SAB da Catingueira. Foram dois dias de Festival as Feirinhas do Brilho, com várias artistas independentes vendendo sua arte, a roda de conversa e um treino com The Legendary Makayla Sabino Império, a criadorada dessa house, que é do Rio de Janeiro.
Assistir Ayana dançar é como presenciar uma história sendo escrita com o corpo. Ela ainda está no começo da jornada, mas sua presença já anuncia o que vem: uma trajetória feita de passos firmes, coragem e poesia em movimento.
- (83) 99416-5368
- @ayanaimperio • @cgtemkunt
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